Loiça

Do cimo do coqueiro o macaco malandro atirou um fruto à cabeça de outro símio que descansava sentado, lá em baixo, encostado ao tronco. “Obrigado por me criticares”, disse-lhe o segundo macaco, depois de abrir o coco e saborear a sua água…

Tive oportunidade de visitar a mesquita de Lisboa, há uns anos atrás, durante uma extraordinária aventura com os meus exploradores pela capital.

O guia que nos acompanhou num breve périplo pelo edifício, a certa altura referiu que ali "não se lava a loiça num altar".

A minha miudagem percebeu a alfinetada e os que estavam cá mais atrás não se coibiram de me manifestar o seu protesto: " o tipo está a dizer mal da nossa Igreja!"
Sem fazer muito caso, aproveitámos, nós os animadores adultos, para explicar àqueles rapazes e raparigas o conceito de tolerância religiosa e a sua importância.

Hoje, sempre que lavo a loiça ou a meto na máquina, lembro-me desse episódio e agradeço ter assim dado conta de como esta aborrecida tarefa doméstica é afinal uma extraordinária oportunidade de me aproximar do Deus em que acredito.

texto de José Carlos Santos

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